terça-feira, 4 de maio de 2010

Ser, estar ou gerundiar?

Pessoas se encontram e se perdem, mas não desaparecem.
Algumas estão em falta, outras simplesmente fazem falta.
Pessoas existem, outras co-existem. Umas muito dão, outras muito sugam.
Algumas vivem, outras mofam, mas não desaparecem.
Sim, umas definitivamente se encontram, outras, seguem buscando; ou se escondendo.
Outras se acham e se perdem - de si; mas não desaparecem.
A busca é de todos. O alvo muda, mas as escolhas dos caminhos, todos têm.
Uns encontram, outros se perdem. De si. E a lição fica.
Sei que as frases estão incompletas, como os ciclos da vida enquanto vivemos.
Os ciclos não terminam. Nós podemos tentar um "desfecho", um ponto final. Eles podem até desaparecer, ao contrário das pessoas, mas não se perdem. Talvez nem possam ser encontrados, os tais ciclos.
Eles vem e vão... voltam ou são engavetados. Ciclos são.
Pessoas estão.
Eu gostaria ser. Gosto estar, mas o pavor do definitivo neste caso me atrai. Não quero me perpetuar, mas quero marcar.
Não quero apenas gerundiar. Sei que não desaparecerei. Me encontrarei e me perderei. Perderei pessoas que não desaparecerão e encontrarei outras que desejarei o desaparecimento- obviamente sem sucesso.
Os ciclos são inevitáveis, já as pessoas não. E o grande lance é esse na verdade. Desvie de algumas, corra ao lado de outras, fique um pouco atrás de umas, corra bem à frente de certas outras.
Escolha o teu caminho. Encontre, perca, mas não desapareça!
Forte abraço!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Amizades.

A idade é inversamente proporcional ao número de amigos que você mantem na vida. Sim, é verdade. Mas isso não quer dizer que você não possa agregar novos amigos.
Fazer amigos, não é uma tarefa fácil. Colegas e conhecidos sim. Esses não faltam. Mas amigos mesmo, pessoas que você quer por perto, não. Então, quando eu conecto com alguém, sinto uma energia boa, sinto que há o que cultivar, me dedico. Me esforço. Me faço presente.
É muito fácil perceber quando gosto de alguém. É óbvio demais. E faço questão de transparecer isso. Por ser tão raro, quero que saiba que vale a pena.
Fiz novos amigos no último ano. Sim. Juju, Fábio (mais de um ano na verdade, mas ainda o considero amigo-novo), Rafa, Zé (em construção ainda). Estou feliz por ter encontrado essas pessoinhas, mas estou mais feliz ainda por ter percebido essa conexão e por estar cultivando diariamente.
Amo pessoas.
Amo gostar de pessoas.
Amo gostar.
Amizade de fato é um caminho que escolhemos seguir.
Forte abraço a todos, e cultivem. Vale a pena.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Night Bike Ride!

Eis que hoje me dei folga! Uepa! Tudo bem que não tenho aula terças-feiras, e geralmente é o dia que me dou de folga (tento trabalhar findis, pra manter a minha ex-velha-não-rotina-da-aviação). Mas hoje estou animada. Sim, animada.
Minha querida sis me inscreveu (a pedido meu, é claro) numa 'night bike ride'. Já faço bastante coisa de bike, pois sinceramente, morar na Zona Sul do Rio e não usar bike é praticamente um crime. Tenho o aterro à minha frente, poucos km da praia de Copa, e menos km ainda do centro da cidade. Não dá pra usar só transporte público, certo?
Minha bike é minha filhota querida! Cuido bem dela, faço revisões, passo óleo, é toda equipada pra carregar coisas (banco traseiro e cestinha na frente), 2 cadeados fortes (afinal já roubaram 3 aqui em casa, 1 minha e 2 do marido). Minha bike é uma querida! hahahaha!
Minha companheira, assim como meu ipod. Impossível pedalar, mesmo com o visual incrível do Rio de Janeiro sem música. Impossível! Troco sempre o playlist pra não enjoar, coloco no shuffle e vou embora! É uma das minhas sensações prediletas, confesso. É uma liberdade que não encontro em outras 'tarefas rotineiras'. Bem me faz, me faz bem.
Então, hoje a noite terá esse rolé (e não rolê como dizem os paulistas) pela orla da Zona Sul! Super bacana, me parece! Sairemos do posto 6 em direção ao Leme, depois seguiremos até o pontal do Leblon e voltaremos ao posto 6. Incrível coincidência, minha mãe MORA no posto 6 e não terei que retornar até o Flamengo. Descanso merecido. Até porque, vou à praia durante o dia, e todos sabem que praia cansa, não é????
Enfim, espero que meu dia seja tão bom quanto estou esperando, ou ainda, melhor!
Rafa, me liga! o dia está lindíssimo, e a praia promete!
Forte abraço a todos!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Paraíso x Inferno Astral

Por pura curiosidade coloquei no "google" paraíso astral hoje de manhã, e entrei no primeiro site que ele me disponibilizou. A explicação do site diz o seguinte:
"Inferno Astral é o período de 30 dias que antecede a data de seu aniversário. Nessa época, a cada ano, você fica mais sensível e precisa se dar a si mesmo(a) mais atenção. Durante essa fase, recomenda-se fazer um balanço de sua vida e quando se deparar com problemas, esforce-se por resolvê-los.
Paraíso Astral é o oposto de Inferno Astral, quando tudo parece funcionar perfeitamente bem, ou pelo em um nível melhor."
Agora, a minha explicação por esta busca deve-se a proximidade do meu aniversário. De acordo com este site, o meu inferno astral começa dia 25 de Abril, um mês antes da data comemorativa. Se fosse em outro anos, talvez eu acredita-se mais nesse lance, mas este ano as coisas estão diferentes. Estão mais calmas. Eu estou mais paciente, e melhor comigo mesma. Estou mais em paz, mais 'bem resolvida', buscando cada vez mais o silêncio em mim e muito feliz por isso.
Nunca fui muito fã da quietude, sempre preferi minha vida mais agitada, mais turbulenta, pois se encaixa melhor com minha impulsividade e minha impossibilidade de tomar decisões numa calmaria e céu de brigadeiro. Apenas consigo tomar atitudes no momento de tensão, de estresse, de 'fudeu, e agora???'. Não posso reclamar, porque no fundo, sempre me sai bem melhor dessas situações do que dos momentos que tenho calma para decidir. Mas agora posso afirmar que algo mudou. Quero calma para pensar, calma para decidir, calma para tomar atitude. Quero me definhar de tanto pensar! Quero fundir a cuca até meu limite e dizer "sim, isso é melhor do que aquilo".
Talvez seja o famoso TRINTÃO chegando. Sim, farei 30 anos. Estou feliz. Estou bem. Estou satisfeita. Nunca fui muito fã do meu aniversário, embora de certa forma sempre quis comemorar de alguma maneira, nem que seja com um jantar pequeno em família apenas (leia-se Aninha, Di, Marcos e Kiko).
Voltando à astrologia. De acordo com o site, meu paraíso astral dura do dia 23 de outubro ao dia 22 de novembro. Pois eis que EU DISCORDO. Estou vivendo o meu paraíso astral agora pombas! Sim, por definção é o momento em que tudo parece funcionar perfeitamente bem! Não estou analisando minha vida por completo, ainda tenho diversos caos presentes, dúvidas me consumindo, estresses, tensões etc. Refiro-me a mim apenas. Eu estou bem. Estou estou perfeitamente bem. E o melhor: feliz por esta mudança que veio chegando devagarzinho e me dominou de forma aprazível. Estou conseguindo enxergas estes caos e estresses de forma diferente. Não estou deixando que me consomam até o talo.
Tenho muitos amigos que já cruzaram a linha dos 30. A maioria na verdade. Alguns me revelaram na véspera um desespero. Outros uma ansiedade.
É uma data importante. (todas são, mas peraí!!!). Fazer trinta anos é um verdadeiro rito de passagem. Como Clarice Lispector um dia escreveu, fazer trinta anos é cair em área sagrada. Não me refiro ao número 30 na certidão de nascimento. Tem gente de 50 anos que não tem 30 ainda, assim como tem uns de 21 com 30 já. Tem gente que jamais alcançará os 30; uma pena... Pois eu tenho a sorte de estar preparada e querer muito virar os 30 exatamente no momento que estou virando 30. E isso é o máximo!
É como se tudo antes dos 30 fosse uma grande fase de aprendizagem. De amadurecimento. Não que acaba por aí... óbvio que não, e quem já vem me acompanhando sabe que jamais afirmaria uma loucura dessas! Mas é como se antes dos 30 estivesse para a escola como o após está para a fase pós escola (seja faculdade, trabalho...tanto faz). É uma fase de redescoberta pessoal. As escolhas de Sofia, as caixas de Pandora, todas explodem nesse momento, e tua perspectiva é outra. As mesmas questões são enxergadas por outro viés. Aprendemos que sim, há o outro lado da moeda.
A virada dos trinta é aquela curva na estrada. Aquela que tem uma placa avisando: curva fechada, desacelere. Não há maneira de ver o que há após a curva, portanto vá com cuidado. Analise bem a estrada, veja se há um barranco, um precipício, outro carro na contramão. Olhe cuidadosamente no retrovisor, analise se vem alguém atrás, pise no freio com antecedência para não causar um engavetamento. Anuncie um distanciamento de quem vem de trás, mas não perca de vista. Veja se não há buracos ou óleo na pista, pois derrapar na curva é um perigo. Veja se não há animais nesta área, pois a última coisa que se quer é atropelar algo.
Ou seja, pense, repense, analise, descubra, e principalmente, redescubra. Não delete nada anterior, não ignore nada, não engavete nada, e cuidado com os próximos. Não torne-se egocêntrico, não atropele ninguém. Olhe-se mas não se esqueca que há um mundo gigante no seu exterior, e que sem ele você não é ninguém.
Enfim, por estas e outras afirmo com convicção: eu decidi que meu inferno astral esse ano não existirá. Já tive 2 anos seguidos de muita merda, de perdas etc. Estes 2 anos corresponderam ao meu inferno astral dos 30. Pois agora, estou a 2 passos do paraíso. Estou entrando lá. E não tenho pressa, não estou ansiosa, pois sei que será simplesmente incrível!
Forte abraço a todos! Obrigada pelo desabafo!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

6 anos atrás...

"Como dar fim a algo que não necessariamente foi desejado? Então, como decidir quem ser?
Como escolher entre Eu e Eu? (sim, há uma diferença...)
Como viver sem pensar, porra?
Essa resposta eu já sei: não é possível.
Na verdade não foi para expressar dúvida, e sim, um protesto.
Convencida disso, prefiro me dedicar a outro pensamento.
Sinto mudança, o desconhecido sempre me é estranho, mas nunca o expluso.
Reação sem controle como sempre. Típico Bia.
Sem poder, sem decisão, mas sem angústia acima de tudo. é o que desejo.
Meus olhos permanecem secos para minha surpresa.
Possuo outra expressão, uma nova expressão, mais paciente, ainda que um tanto infantil e, por vezes, raras vezes, ingênua; para surpresa de muitos e tristeza minha por ser tão raro.
Sorrio.
Hesito com prazer. Louco, não?
Quantas voltas já devo ter dado nesses últimos 24 anos? Quantas vidas já cruzei, quantas gerações, dores, alegrias, momentos de pânico, de medo e de prazer já tive acesso?
Satisfeita, eu não sei responder e sinto-me bem com isso. Não há resposta para tudo. A minha impulsividade que o diga!
Sorrio outra vez e deixo o silêncio falar por mim."

Mais uma vez, vasculhando meus papéis, infinitas pastas que guardo (TRALHA NÃO, por favor...), encontrei esse 'escrito'. Tive vontade de voltar no tempo, mais precisamente para o dia 15 de Julho de 2004 e entender com a cabeça que tenho hoje, o que senti naquele momento.
Não posso.
Agradeco minha mania de guardar tudo que escrevo.
Forte abraço,
Bia

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Estresse versus Memória

É impressionante como a nossa memória recente, principalmente para momentos de tensão, é curta. Todos semestre é a mesma ladainha de semana de provas, mesmo estresse, mesmíssima coisa. Não muda. Aliás, duas vezes por semestre, somando um total incrível de 4 semanas por ano "perdidas" em avaliações muitas vezes desnecessárias.
Mesmo sabendo destes números, sempre que chega a véspera da semana estressante, parece novidade, parece que nunca antes fiquei tão estressada assim...de fato, a memória bloqueia a semana do semestre anterior...e de fato, parece novidade.
Por vezes me parece um sistema engessado, preso a uma herança do antigo segundo grau (ensino médio agora, não é??). Outras vezes, tomo um viés de "mal necessário". Não tenho uma opinião totalmente formada a respeito disso, mas acredito que haja uma forte falta de flexibilidade quando o assunto é avaliar se o aluno está apto ou não. A verdade é que não depende do professor, e sim de um sistema acima dele que o obriga a avaliar os alunos, muitas vezes, em um momento menos propício. Muitas vezes, por questões diversas, sejam feriados, greves, problemas pessoais, de saúde, enfim, não é o momento certo para avaliar. Mas não! O MEC exige, a diretoria exige, uma data limite para que os alunos sejam avaliados. E se o professor ainda não tiver dito tudo que precisa ser dito? Foda-se. A prova tem que ser aplicada, sem desculpa ou flexibilidade alguma, nesta determinada semana. Foda-se. Corra com a matéria, cuspa tudo sem critério algum. Não ME importa. Ok então.
Enfim, a minha semana de provas acabou hoje. Finalmente. O estresse passou. Mas sei que em breve virá outra semana... e até o final do ano, faltam 3. E até me formar, faltam sei lá quantas semanas de puro estresse e tensão. Provavelmente amanhã, depois de uma devida comemoração etílica deste final, eu já esqueca por completo, e sofra por antecipação outra vez na primeira semana de junho.
Veremos!
Forte abraço!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Interrupção das Partes -

Eu estava aqui fazendo uma limpa no meu computador quando encontrei alguns áudios que faço quando estou com preguiça de escrever (geralmente porque já estou deitada para dormir e não há papel e caneta a mão).
Encontrei o seguinte:
"A pseudo-dor de uma vero-perda.
Foram X meses, X dias, X horas ou até X minutos.
Foi este o tempo que durou esta lenta perda.
Foi um sofrimento gradual, incontrolável, inigualável.
Depois que a perda ocorreu de fato, passei a prezar tanto o futuro na esperança de que esta dor diminuísse gradualmente.
Mas ao mesmo tempo, este esperançoso futuro representa um pouco de medo,
porque ele também representa um distanciamento do passado.
E este distanciamento significa um distanciamento também das lembranças
Um distanciamento da figura, da memória, do rosto, dos momentos.
E esta lembrança é exatamente o que eu não quero perder.
E o futuro representa exatamente isso. Mesmo ele representando uma futura cura para a dor atual, não acredito que o esquecimento compense parar de sentir dor."

Referia-me a perda do meu pai (pra quem já leu postagens anteriores, sabe que é meu pai de segunda geração, meu avô a quem me refiro).
Hoje, passados quase 2 anos (exatamente 1 ano, 9 meses e 19 dias), a dor diminuiu, mas o tal esquecimento mencionado não chegou. Ele ainda está presente em minha vida diariamente. Seu rosto não foi esquecido. As lembranças tampouco. Mas de alguma forma, deletei seus últimos dias de vida, deitado na cama do hospital, sem forças para falar, para respirar, para expressar. O que consigo lembrar dele são memórias boas e felizes.
Acho que estava errada... e espero que continue assim.

Forte abraço!!!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Desgaste!

Amor desgasta.
Sim, desgasta com o tempo, o relacionamento, a rotina, você mesmo.
A rotina também desgasta. Sim, desgasta o tempo, desgasta o relacionamento, desgasta o amor e você mesmo.
O tempo também desgasta. Sim, o tempo desgasta o amor, desgasta, o relacionamento, desgasta a rotina e você mesmo.
O relacionamento desgasta também. Sim, desgasta o amor, desgasta, a rotina, o tempo, e você mesmo.
Agora, e você? Desgasta também? Será que você compulsoriamente é um fator de desgaste? Você necessariamente desgasta o relacionamento? Impreterivelmente desgasta o amor? Absolutamente desgasta você mesmo? Totalmente desgasta a rotina? Você por si só é responsável de maneira imutável e sem chances de ser diferente, pelo desgaste? Será?
Você é o fator de diferença no desgaste.
Você é capaz e diminuir o desgaste no amor, no tempo, no relacionamento, na rotina e principalmente em você mesmo.
Desgaste-se menos.
Mude a rotina, beije como se fosse o primeiro beijo, esqueça o relógio e abrace o tempo.
Desgaste-se menos. Seja a diferença dos fatores.

Abraços,
Bia

terça-feira, 16 de março de 2010

"Mastercard..."

A grande maioria dos valores morais, éticos ou não, pessoais ou gerais vem de berço. A maioria. Mas também existem exceções, como para tudo nesta vida.
Mas hoje vim aqui para falar dos que literalmente vem de berço. De criação. Ou até dos que são hereditários.
Considero-me um ser humano de sorte. Tive o prazer, imenso prazer, de conviver com uma figura paterna que não era biológica de primeira geração, e sim de segunda (meu avô) por 28 anos da minha humilde vida. Não tem preço, como diz a Mastercard. Não mesmo. Não pode ser medido, não pode ser avaliado financeiramente, mas pode-se tentar expressar em forma de agradecimento. E é por isso que aqui estou hoje. Para agradecer.
Quanto à figura paterna de primeira geração, tive má sorte (a outra palavra traz mais má sorte ainda, como diz minha figura materna de primeira geração!!!). Mas a vida de alguma forma soube compensar essa falta de sorte, essa falta de presença, essa falta de amor, essa falta de educação, essa falta de exemplo, de valores, morais, de ética, enfim, essa falta geral que a primeira geração paterna me causou. Deu-me uma figura paterna de segunda que não só cobriu a falta da primeira, como excedeu em tudo nas expectativas.
Grande parte do que sou hoje devo ao meu verdadeiro pai (não ao biológico). Foi meu maior exemplo de poço de sabedoria. Era MINHA enciclopédia ambulante. Foi minha referência de ética, de coisas certas, de atitudes, de valores. Com ele aprendi a ter moral. Aprendi a definir os MEUS valores. Isso é muito pessoal, eu sei. Varia muito de ser humano para ser humano, mas acredito fortemente que os meus são imbatíveis, pois tendo ele como exemplo, não poderia ser diferente.
Como ele eu aprendi também a ser curiosa. Sempre me dizia que a curiosidade é a maior fonte de aprendizagem. Na curiosidade reside um mar infinito de possibilidades. “Mas filhinha, sempre seja humilde, até na curiosidade.” Com ele aprendi também a nunca ter vergonha de “não saber”. Ninguém nasce sabendo.Mas só cresce quem quer saber. Mais vale perguntar não sabendo, do que calar e fingir saber. Essa é a verdadeira ignorância, no sentido de optar por ignorar.
Meu pai. Meu avô. Meu exemplo. Meu tudo. Esse sim sabia das coisas.
Com ele também aprendi a ser mais paciente. Sou impulsiva, demasiadamente impulsiva. A paciência é um dom. E o pouco que tenho (ainda estou aprendendo) devo a ele. Sem sombra de dúvida.
Outra coisa que ele me ensinou: “filhinha: seja independente. Nunca dependa de ninguém. Essa é a sua verdadeira arma para atingir a felicidade. Trabalhe, dedique-se, encontre o que lhe dá prazer. Estude. Estude muito!! Sempre há mais para aprender”.
Ele faz muita falta. Volta e meia, quando tenho alguma dúvida, qualquer que seja, sobre qualquer assunto, pego o telefone para lhe telefonar... Agora eu tenho que aprender a aprender sem sua presença física. Isso está me doendo. Mas estou amadurecendo através desta dor. Aprendendo a aprender sozinha.
E isso, vôzinho, não tem preço, como diz a Mastercard.
Mesmo distante você se faz mais presente do que a maioria esmagadora dos que aqui estão comigo.
Te amo, e te digo de coração: OBRIGADA.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sonho ou realidade?

Sabe quando você tem um sonho tão real que chega a confundir com a realidade? Quando você acorda e não tem certeza se aconteceu, se foi pura nostalgia, se foi sonho, o que é que foi?
Esta última noite eu tive um desses. Foi um sonho real. Acordei com as pernas fisica e literalmente doloridas... no sonho eu corri. Foi no momento em que senti a dor física que comecei a questionar até que ponto foi realmente apenas um sonho. Me belisquei para ter certeza de que não estava sonhando ainda... Senti o belisco, mas também sentia a dor nas pernas. A dúvida permaneceu.
Foi tão real. Foi palpável, a ponto de relfetir na minha realidade matinal. Os cheiros eram reais. As cores vivas. A corrida me pareceu bem real. Mas o que mais me impressionou foi o tato. Eu realmente senti quem abracei no sonho. Edu. Foi então que me dei conta que realmente foi sonho.
Edu faleceu tem 1 ano, 1 mês e 18 dias. Um total de 413 dias. A ficha caiu. Infelizmente foi sonho. Nós corremos muito no sonho. Um determinado momento para chegar a tempo numa sala de cinema. Em outro, para não chegarmos atrasados num almoço de família. Noutro, para chegar no Maracanã. Estranho... ele era tricolor doente, e eu sou flamenguista, doente também.
A ficha foi caindo na medida em que ia me relembrando dos detalhes. Tinha sido um sonho.
Mas sempre que me lembrava dos abraços que demos, me parecia real. Ele estava tímido. Quieto. Não falou quase nada o sonho inteiro. Na verdade, não me lembro de ouvir sua voz. Mas os abraços... o tato foi real. Até o cheiro. Eu senti seu cheiro. Acordei com seu cheiro, pois segundos antes de acordar, a gente estava se abraçando, porque conseguimos chegar a tempo na tal sala de cinema. Foi um final de sonho de puro alívio. Para ambos. Ele não disse nada, me abraçou, e entramos na sala escura, sentamos junto ao corredor na penúltima fileira e o filme começou. Acordei.
Desde 28 de Janeiro de 2009 eu imploro para sonhar com ele de maneira feliz e real. Imploro para vê-lo, tirar a terrível "última imagem" que tinha dele. Finalmente chegou esse momento.
Passei o dia inteiro quieta e pensativa. Mas feliz por dentro. Eu tive, finalmente, após 413 dias, a oportunidade de vê-lo, senti-lo, abraçá-lo. Foi bom.
Não sei se terei outra oportunidade dessas tão cedo, e quero manter essa imagem clara e viva na minha mente. Esta é minha "última imagem" atual dele.
E por isso sorrio.

Obrigada.
RIP - te amo.