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quarta-feira, 31 de março de 2010

Desgaste!

Amor desgasta.
Sim, desgasta com o tempo, o relacionamento, a rotina, você mesmo.
A rotina também desgasta. Sim, desgasta o tempo, desgasta o relacionamento, desgasta o amor e você mesmo.
O tempo também desgasta. Sim, o tempo desgasta o amor, desgasta, o relacionamento, desgasta a rotina e você mesmo.
O relacionamento desgasta também. Sim, desgasta o amor, desgasta, a rotina, o tempo, e você mesmo.
Agora, e você? Desgasta também? Será que você compulsoriamente é um fator de desgaste? Você necessariamente desgasta o relacionamento? Impreterivelmente desgasta o amor? Absolutamente desgasta você mesmo? Totalmente desgasta a rotina? Você por si só é responsável de maneira imutável e sem chances de ser diferente, pelo desgaste? Será?
Você é o fator de diferença no desgaste.
Você é capaz e diminuir o desgaste no amor, no tempo, no relacionamento, na rotina e principalmente em você mesmo.
Desgaste-se menos.
Mude a rotina, beije como se fosse o primeiro beijo, esqueça o relógio e abrace o tempo.
Desgaste-se menos. Seja a diferença dos fatores.

Abraços,
Bia

terça-feira, 16 de março de 2010

"Mastercard..."

A grande maioria dos valores morais, éticos ou não, pessoais ou gerais vem de berço. A maioria. Mas também existem exceções, como para tudo nesta vida.
Mas hoje vim aqui para falar dos que literalmente vem de berço. De criação. Ou até dos que são hereditários.
Considero-me um ser humano de sorte. Tive o prazer, imenso prazer, de conviver com uma figura paterna que não era biológica de primeira geração, e sim de segunda (meu avô) por 28 anos da minha humilde vida. Não tem preço, como diz a Mastercard. Não mesmo. Não pode ser medido, não pode ser avaliado financeiramente, mas pode-se tentar expressar em forma de agradecimento. E é por isso que aqui estou hoje. Para agradecer.
Quanto à figura paterna de primeira geração, tive má sorte (a outra palavra traz mais má sorte ainda, como diz minha figura materna de primeira geração!!!). Mas a vida de alguma forma soube compensar essa falta de sorte, essa falta de presença, essa falta de amor, essa falta de educação, essa falta de exemplo, de valores, morais, de ética, enfim, essa falta geral que a primeira geração paterna me causou. Deu-me uma figura paterna de segunda que não só cobriu a falta da primeira, como excedeu em tudo nas expectativas.
Grande parte do que sou hoje devo ao meu verdadeiro pai (não ao biológico). Foi meu maior exemplo de poço de sabedoria. Era MINHA enciclopédia ambulante. Foi minha referência de ética, de coisas certas, de atitudes, de valores. Com ele aprendi a ter moral. Aprendi a definir os MEUS valores. Isso é muito pessoal, eu sei. Varia muito de ser humano para ser humano, mas acredito fortemente que os meus são imbatíveis, pois tendo ele como exemplo, não poderia ser diferente.
Como ele eu aprendi também a ser curiosa. Sempre me dizia que a curiosidade é a maior fonte de aprendizagem. Na curiosidade reside um mar infinito de possibilidades. “Mas filhinha, sempre seja humilde, até na curiosidade.” Com ele aprendi também a nunca ter vergonha de “não saber”. Ninguém nasce sabendo.Mas só cresce quem quer saber. Mais vale perguntar não sabendo, do que calar e fingir saber. Essa é a verdadeira ignorância, no sentido de optar por ignorar.
Meu pai. Meu avô. Meu exemplo. Meu tudo. Esse sim sabia das coisas.
Com ele também aprendi a ser mais paciente. Sou impulsiva, demasiadamente impulsiva. A paciência é um dom. E o pouco que tenho (ainda estou aprendendo) devo a ele. Sem sombra de dúvida.
Outra coisa que ele me ensinou: “filhinha: seja independente. Nunca dependa de ninguém. Essa é a sua verdadeira arma para atingir a felicidade. Trabalhe, dedique-se, encontre o que lhe dá prazer. Estude. Estude muito!! Sempre há mais para aprender”.
Ele faz muita falta. Volta e meia, quando tenho alguma dúvida, qualquer que seja, sobre qualquer assunto, pego o telefone para lhe telefonar... Agora eu tenho que aprender a aprender sem sua presença física. Isso está me doendo. Mas estou amadurecendo através desta dor. Aprendendo a aprender sozinha.
E isso, vôzinho, não tem preço, como diz a Mastercard.
Mesmo distante você se faz mais presente do que a maioria esmagadora dos que aqui estão comigo.
Te amo, e te digo de coração: OBRIGADA.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sonho ou realidade?

Sabe quando você tem um sonho tão real que chega a confundir com a realidade? Quando você acorda e não tem certeza se aconteceu, se foi pura nostalgia, se foi sonho, o que é que foi?
Esta última noite eu tive um desses. Foi um sonho real. Acordei com as pernas fisica e literalmente doloridas... no sonho eu corri. Foi no momento em que senti a dor física que comecei a questionar até que ponto foi realmente apenas um sonho. Me belisquei para ter certeza de que não estava sonhando ainda... Senti o belisco, mas também sentia a dor nas pernas. A dúvida permaneceu.
Foi tão real. Foi palpável, a ponto de relfetir na minha realidade matinal. Os cheiros eram reais. As cores vivas. A corrida me pareceu bem real. Mas o que mais me impressionou foi o tato. Eu realmente senti quem abracei no sonho. Edu. Foi então que me dei conta que realmente foi sonho.
Edu faleceu tem 1 ano, 1 mês e 18 dias. Um total de 413 dias. A ficha caiu. Infelizmente foi sonho. Nós corremos muito no sonho. Um determinado momento para chegar a tempo numa sala de cinema. Em outro, para não chegarmos atrasados num almoço de família. Noutro, para chegar no Maracanã. Estranho... ele era tricolor doente, e eu sou flamenguista, doente também.
A ficha foi caindo na medida em que ia me relembrando dos detalhes. Tinha sido um sonho.
Mas sempre que me lembrava dos abraços que demos, me parecia real. Ele estava tímido. Quieto. Não falou quase nada o sonho inteiro. Na verdade, não me lembro de ouvir sua voz. Mas os abraços... o tato foi real. Até o cheiro. Eu senti seu cheiro. Acordei com seu cheiro, pois segundos antes de acordar, a gente estava se abraçando, porque conseguimos chegar a tempo na tal sala de cinema. Foi um final de sonho de puro alívio. Para ambos. Ele não disse nada, me abraçou, e entramos na sala escura, sentamos junto ao corredor na penúltima fileira e o filme começou. Acordei.
Desde 28 de Janeiro de 2009 eu imploro para sonhar com ele de maneira feliz e real. Imploro para vê-lo, tirar a terrível "última imagem" que tinha dele. Finalmente chegou esse momento.
Passei o dia inteiro quieta e pensativa. Mas feliz por dentro. Eu tive, finalmente, após 413 dias, a oportunidade de vê-lo, senti-lo, abraçá-lo. Foi bom.
Não sei se terei outra oportunidade dessas tão cedo, e quero manter essa imagem clara e viva na minha mente. Esta é minha "última imagem" atual dele.
E por isso sorrio.

Obrigada.
RIP - te amo.