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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Espírito Natalino

Hoje é natal. Hoje é dia 24 de dezembro.
Não sei porque exatamente essa data não significa tanto pra mim. Fui criada num ambiente católico, porém não radical. Não sei se sinto falta do espírito natalino infantil, pois não me lembro tão bem assim.
Me lembro exatamente do natal em que descobri que papai noel não existia, assim como também me lembro da farsa do coelho da páscoa. A descoberta da não-existência do papai noel me chocou bem menos do que do coelho da páscoa, PASMEM! Acho que talvez pelo fato do papai noel ter uma imagem humana... não me impressionou descobrir que alguém com figura humana não era real. Mas descobrir a não-existência do coelho da páscoa, aquela figura animal e mágica... foi na verdade um divisor de águas entre a realidade e a ficção. Descobrir que a tal figura não-humana e mágica, que colocava ovos coloridos por todos os cantos simplesmente não existia foi uma puta frustração! Sim, as coisas mágicas são inventadas! Isso doeu muito.
Mas voltando a noite de natal... se não me engano, era 1986, tinha 6 anos já completos, e estava passando natal em Los Angeles na casa dos meus avós paternos. Toda minha família direta (mãe, pai - ainda casados - e irmã) estava lá, sem contar com avós e alguns tios. Era uma casa enorme, com jardim na frente e atrás. Tinha dois andares, e nos andares de cima ficavam os quartos. Minha avó paterna sempre gostou muito de enfeitar a casa com ornamentos natalinos. A árvore era IMENSA, mesmo. Não porque eu era criança, era grande até para os adultos. Gastavamos dois dias para montá-la e enfeitá-la. E os presentes só eram colocados na noite do dia 24, conforme a lenda do papai noel, o velhinho simpático e onipresente, com barba e cabelos brancos e roupa vermelha (graças a Coca-cola, diga-se de passagem, pois sua roupa original na lenda era azul...). Jantamos mais tarde do que o normal nesse dia 24. Era uma noite fria, lembro-me bem. Depois do jantar, saímos para o frontyard para olhar as outras casas, a iluminação e ornamentação natalina do resto do condomínio. Por alguns instantes, olhamos para o céu, e algo incrível aconteceu! Uma luz piscante e diferente cruzou o céu. É sério! Lembro-me do meu pai me dizendo que era o trenó do papai noel. Aquilo me encheu a alma com esperança e alegria. Foi uma sensação que me tirou os pés do chão! Não duvidei nem por um segundo que poderia ser outra coisa! Lembro-me que abracei minha irmã e cochichei no seu ouvido: Di, era papai noel! Vamos colocar os cookies na meia pra ele!
Não sei se ela lembra disso... ela tinha apenas 4 anos. Mas me lembro bem, como se fosse ontem!
Enfim, depois desta linda imagem do papai noel cruzando os céus de LA, as crianças, Di e eu, fomos deitar para "dormir". Eu, naquela exitação só, estava uma pilha de nervos, me deitei na cama e fingi estar dormindo. Algumas horas mais tarde, ou talvez apenas uma hora mais tarde, me levantei sem emitir qualquer som, e fui ver se a árvore já estava completa, e ver se a meia do papai noel já estava vazia! Queria saber se ele já tinha passado pela nossa casa! me agarrei no corrimão da escada, em silêncio, e escutei vozes e barulhos no andar de baixo. Pronto! Não acreditava que papai noel estava na casa na hora que resolvi descer!!! Era muita emoção! Com cuidado para não assustá-lo fui descendo bem devagar, tentando espiar pelos vãos do corrimão. Puta que pariu! Meu coração estava disparado, parecia que ia pular pela minha boca. Fui descendo devagar.... prendi minha respiração. Quando finalmente soltei o ar, olhei e vi: não era papai noel. Era meu pai, minha mãe e minha avó colocando os presentes na árvore. Não falei nada e voltei pra cama. Não quis que minha irmã tivesse aquela frustração, aquela sensação de perda de crenças. Não contei nada pra ela, nem sequer a acordei. Foi muito difícil voltar a dormir, pois ficava tentando imaginar o que seria aquilo que vi cruzar o céu. Foi horrível. No dia seguinte, pela manhã como de costume, abrimos os presentes. Não estava animada como sempre, pelo contrário, abri os presentes de maneira apática e em silêncio. Agradeci todos os presentes, e, depois do almoço, contei pro meu pai a triste cena que tinha visto de madrugada. Foi o fim do espírito natalino pra mim.
Agora, a história do coelho da páscoa, vai ficar pra outro dia... ok? Uma frustração por post! Por favor!
Beijo carinhoso a todos, e um feliz natal.

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